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segunda-feira, 4 de junho de 2012

Respeito é o que falta em nossa sociedade!

No dia 11 de Fevereiro desse ano eu passei por uma situação desagradável dentro do trem a caminho da estação Barra Funda. Tudo bem, não era diretamente comigo mas eu me senti na obrigação de interferir na história.
Tinha um casal gay abraçado.. estavam como qualquer outro casal qualquer. Apenas de mãos dadas, sorrindo e conversando. Quando então eu avisto uma mulher olhando com uma cara feia, de nojo, repugnância e falando algumas coisas.. Coisas absurdas!
Ela estava acompanhada de um rapaz, e começou a falar bem alto a fim de constranger o casal! Afirmou que ela ia descer na próxima estação, e que aquilo que ela estava vendo:
"... era um absurdo, que ela detestava esse povo, que são piores que animais... que são todos safados que vão contra a natureza e que não respeitam nada nem ninguém.. é um abuso o que eles estão fazendo em público, que deviam prendê-los, matá-los..." e mais um monte de coisa que prefiro nem lembrar! Essas foram algumas das palvras dela. Eu fui me irritando.. fui inflando.. tomando a dor deles! Então eu me levantei e fiquei do lado dela só ouvindo.. o trem parou na Barra Funda e nós dois descemos, assim como o casal.
Eles seguiram de mãos dadas na escada rolante e então essa mulherzinha continuou falando indignada esticou o braço e deu um cutucão nas costas de um dos dois!
 

Ah era o que faltava para que eu me metesse naquela história. Não aguentei ver aquilo e ficar calado, comecei a falar tudo o que ela merecia ouvir: "Você tem muito pra aprender na vida, começa primeiro respeitando o direito de cada pessoa! O direito de ser livre e de ser feliz! Aprende a respeitar as pessoas pelo o que são! Cuida da sua vida.. faz algo de útil ao invés de ficar praticando o ódio e o preconceito! Só tem uma coisa absurda aqui!!! Absurda é a sua ignorância e falta de respeito com as outras pessoas!! Ahh, e eu estou cuidando da minha vida também! Eu não os conheço... mas a vida deles é minha também! Vc não é capaz de entender como as coisas são.. apenas fique de boca calada! Respeito e fundamental!"
Ela rebateu dizendo que eu deveria cuidar da minha vida e então a minha réplica foi com a voz embargada, em alto e em bom tom disse: "Eu estou cuidando da minha vida! Por quê ao cuidar da vida deles estou automaticamente cuidando da minha!" Mas aí então.. várias pessoas nos afastaram e falaram pra que eu ignorasse e deixasse ela pra lá.
O casal me agradeceu, e pediu que eu apenas ignorasse mesmo. Que a gente tem que relevar e apenas ignorar e seguir. Eu também concordo! A pior coisa é dar trela para essas pessoas homofóbicas, mas eu achei muita falta de respeito da parte dela. Não iria ficar em paz se eu não tivesse defendido eles! Foi muito cruel tudo o que ela disse! Eu tive que lutar!! Eu não sou o tipo de pessoa que se cala diante de uma situação ruim. Se dói eu grito mesmo! Se a gente não gritar para nos defender, o mundo nos engole! E eu não serei engolido!

Relato: Marcha contra a homofobia - SP

No dia 13 de maio de 2012 participei da marcha contra a homofobia que rolou aqui em São Paulo e foi uma experiência tão gratificante que eu acabei postando sobre o assunto e consegui bastante retorno em relação à essa postagem. Então, agora posto oficialmente do meu blog. O relato dessa experiência:

Relato sobre a MARCHA CONTRA A HOMOFOBIA - 13/05/12
"Avenida Paulista > Largo do Arouche - São Paulo - SP

No domingo especial Dia das Mães dia (13/05) eu trabalhei, e procurando um presente do nada acabei me deparando com um movimento significativo na Avenida Paulista e então descobri que se tratava da Marcha contra a Homofobia. Já estava com o presente em mãos, com a minha mochila pesadérrima!!! Obviamente, fiquei por lá observando o movimento, o conceito do evento e no que daria. Com o tempo fui percebendo que aquilo ali não se parecia em NADA com a famosa Parada Gay de SP que todos nós já conhecemos. Não tinha carros de som, não tinha ambulantes vendendo vinho sangue de boi, nada de sensualização explícita, gente pelada, ou bêbadas se beijando e caindo no chão naquele clima terrível.. Pelo contrário, eu vi gente normal com sonhos... de se casarem, de serem livres e igualitariamente felizes com direito de ir e vir sem temer às criticas da sociedade. Vi alguns casais juntos, alguns homens sozinhos, algumas drags extremamente simpáticas proferindo um discurso que me arrepiou de cima a baixo, e várias pessoas segurando uma plaquinha pedindo respeito as diferenças sociais. No protesto eles gritavam contra o racismo e a homofobia. Bom, resumindo: Eu estava ali, mas não era por acaso. Estava ao lado de pessoas que como eu querem e necessitam do direito laico de uma vida completa e socialmente aceita e feliz. Portanto, ali estava eu... segurando a bandeira colorida e descendo a Paulista, seguindo pela Augusta em direção ao Largo do Arouche..
Desde a ostentação da bandeira até o final do trajeto eu segurei a bandeira, vibrando com os jingles contra homofobia e descriminação social. Estava ali completamente sozinho! Não conversei com ninguém... não conheci ninguém... Mas estava ali representando cada problema e cada tristeza que o preconceito já me causou e já causou a pessoas queridas. Eu gostaria muito que todos os meus amigos estivessem ali presentes presenciando aquele momento de luta por liberdade! Queria muito que o pessoal valorizasse ações como essa. Afinal, exigir respeito é muito fácil... mas nós temos que dar o primeiro passo e mostrar que existimos e que somos também uma voz ativa na sociedade!!! Eu estava cansado por ter trabalhado, estava com a caixa de presente da minha mãe e com a mochila... com dor nas costas, e nos braços por causa do peso e de ostentar a bandeira e a placa. Mas ali eu permaneci! Fazendo a minha parte, contribuindo com a sociedade da qual eu faço parte! Todos nós devemos ter essa consciência e tomarmos essa atitude! ATÉ QUANDO QUEREM APANHAR NA RUA? ATÉ QUANDO QUEREM SER DESMORALIZADOS CIVILMENTE? ATÉ QUANDO IRÃO AGUENTAR TANTO PRECONCEITO E FALTA DE RESPEITO! A luta é nossa! A luta é cotidiana! Portanto, acordem povo! Cada pequeno passo, cada pequena atitude constrói uma história. Finalizando: Um dia eu vou poder dizer... EU ESTAVA LÁ!